quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Registros (In)TENSOS

Amiúdes

Descrevo cores, sentidos, versos e medos
Transformo palavras em medos
Sentimentos em clima..
Em meio a isso sou chuva...lágrimas...gritos..trovões...esbravejo.
Em outros sou brisa, mansa...saudosa e triste.
Envolto em medos cresce o desejo de por efeito químico
Elevar este sentimento em dias de sol, quente e vivo
A dor da alma...se mostra no corpo..
A dor faz doer..arder..adoecer.
Um caminho novo...dificil de percorrer..sobreviver e ver
O que vai acontecer?
O jeito é esperar e ver.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Posia??
Sei lá..parece mais um conselho...

Que é isso que me toma?
Me rasga
me deixa em pedaços...Amarga...triste?
Não é paz...
nao pode ser bom.
Que é isso que nem em oração consigo desprender..
não é de Deus..
Não é pra ser.
Quero desprender...
Reaprender
Reviver...
Crer...e Ver.
Que sou forte..
Linda e posso
Ser feliz longe de ti.

Vou conseguir....

Hoje me pergunto

Se fui leviana

Falei de amor sem o sentir.

Jurei coisas sem saber

Quando me dei por mim..

Vivia numa mentira.

Nem eu te amava, nem você me respeitava.

Tive coragem de dar um basta...encontrei uma nova paixão..

Avassaladora...repleta de coisas intensas...duvidas, medos..incertezas...

Desafiei minha própria pele e deixei sentir até a última possibilidade

Desse sentimento que trouxe sonho de um amor de verdade

E hoje vejo que o sonho espatifou-se no chão...

Como uma taça...suja .... lançada ao longe

Quebrou-se o encanto...

Não és especial como me fez crer

És homem....bicho...instinto...cruel.

Que ignora a minha dor de ver...

Seus braços envoltos em caricias e cochichos

Mas os braços são seus...

Muita coisa é sua

Não poderei tocar, nem questionar...

Não me pertence...

Eu sei...

Nunca fui sua como queria ser.

Nunca foi completamente meu.

Sinto uma coisa inexplicável...

Um remorso um choro reprimido...

Quero um Bálsamo que me envolva e traga consigo o sono a cura.

Vontade tenho de me ver de novo

De sonhar de novo

De viver minha vida

Longe das sombras dessa minha tristeza

quinta-feira, 15 de julho de 2010

HIP HOP

História do Hip Hop


Nunca havia me interessado pelo Hip Hop. Mas certo dia em uma das caronas que peguei, indo ou vindo da faculdade, sem ter outra opção ouvi uma batida seguida de vozes que de inico não entendi ou não prestei atenção por julgar que nada interessante havia nela. Mas durante o percurso o condutor do veículo se explicou, como se eu " a carona" devia lhe permitir que curtisse o som de seu próprio carro. Me falou do estilo e do preconceito quanto àquele estilo de musica, arte e dança. Eu ouvi atentamente e percebi que aquele motorista era detentor de uma criticidade e educação incomum, ao meu ver, pra quem gostava de hip hop. Para minha surpresa aquela música começou a me dizer um monte de verdades, que antes não entendia. Ela falava da realidade dos guetos, da favela, das injustiças socias e gritava uma nova mentalidade.
Ouvi cada pedacinho da musica que parecia mais um clamor dançante. As batidas animadas contrastava com a triste verdade do morro.
Agora, diante do meu estagio fui novamente convidada a conhecer o Hip Hop pois este será o tema que trabalharei na minha primeira aula. Li blogs, artigos, musicas e estou feliz em aprender um pouco mais sobre este movimento ( musical, artistico, social, politico) denominado HIP HOP.

Acesse:http://blacksound.com.br/?cat=25

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Gênero: Noticia

Aplique as estratégias da postagem anterior e comente seu desenpenho
Ticklish Mysteries

What Is Tickling? Why Does It Make People Laugh? Why Do Adults Say They Don't Like It?


Ever wonder why people are ticklish? If so, you're in not alone—great writers and thinkers, including Aristotle, Sigmund Freud and Charles Darwin have pondered the subject. But they were not able to answer the question.  In fact, so far, no one has—but that’s not to say people aren’t studying it. While there’s not a lot that’s definitively known about tickling, there’s more research on the subject than I’d expected.

Defining tickling

Tickle researchers (yes, there are people who do this for a living!) separate tickling into two distinct categories:

  1. Gargalesis is the kind of tickling that makes you laugh and squirm (Let’s call this laughter-associated tickling.)
  2. Knismesis is the kind of tickling you experience when you run your fingernails or a feather lightly over your skin—or, as a creepier example, imagine the feeling of a spider crawling up your leg.  It’s probably not something that would make you laugh.  (We’ll call this light-touch tickling.)

Researchers also note that the laughter that comes with tickling seems to be different than the laughter that comes from watching a funny movie. For example, there’s a “warm up” effect with humorous laughter—if you hear several jokes in a row, the later ones may seem funnier than the first because the first jokes got you warmed up. The same is not true with ticklish laughter. One study found that people didn’t laugh harder when being tickled after watching a funny movie than people who had not watched the movie. One prominent tickle researcher, Christine Harris, Ph.D., compared this idea to the fact that crying from cutting an onion and crying at a funeral are very different states.

Why can't you tickle yourself?

Once again, there is no convincing, scientific data on this subject. But, one idea is that, like the startle reflex, laughter-associated tickling requires that you not know it’s coming. Some studies back this up by showing that people laugh more when they are blindfolded and don’t know where or when they’ll be tickled. If you try to tickle yourself, you’ll know where and when it’s going to happen and that might “cancel out” the tickle you’d ordinarily feel.

There could be advantages to not being able to tickle yourself. For example, I wouldn’t want to involuntarily start laughing during a meeting with my boss just because I’d scratched my stomach!

Is being tickled fun?

A final mystery about tickling is why we laugh even though most adults say that they don’t like to be tickled—and some people hate it. Kids, on the other hand, seem to enjoy it more than adults, as long as it doesn’t go on too long. It’s as if being tickled is pleasurable when we’re young but something we grow out of as we age. Whether that’s true or not is just one more mystery about ticklishness.


   By Robert Shmerling, M.D., Harvard Health Publications

Sugestão de leitura de texto para ler textos

Sugestão de leitura de textos em inglês (( para aprender sozinho))

Objetivos:

1- Utilizar estratégias de leitura para inserir significado e compreender o texto;
2- Buscar palavras cognatas para articulação das idéias;
3- Relacionar palavras novas e outras por meio de prefixos ou sufixos.
4- Compreender o sentido de palavra novas pelo contexto;
5- Buscar significado de palavras novas em dicionário impressos ou on line.
6- Justificar os usos de estruturas gramaticais destacadas no texto;
7- Identificar e explicar: Emissor, receptor, meio de circulação.

Estratégias

• O leitor deverá visualizar o texto de forma ampla, analisando palavras recorrentes, títulos, expressões conhecida e identificar:Tema, assunto, palavras chave, cognatas.
• Depois utilizando do procedimento anterior usar uma estratégia mais detalhada e verificar se há entendimento de cada parágrafo.
• Sublinhar frases cuja compreensão não pôde ser concluída e circular palavras chave destas frases.
• Utilizar de dicionário para ver os possíveis significados destas palavras;
• Voltar ao texto e sanar as dúvidas anteriores

Lembre-se:

Compreender um texto é possível mesmo não dominando todo vocabulário. Nosso conhecimento de mundo nos auxilia na inferência de sentido do texto.Só se desenvolve esta habilidade lendo e vencendo as próprias dificuldades para  obter uma capacidade cada vez maior de ampliar seu vocabulário e ler de forma efetiva. Assim acreditamos que língua materna ajuda muito a compreender uma língua estrangeira pois quanto maior sua competência lingüística em LM maior sua probabilidade de raciocinar de forma coerente.

 

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ADJECTIVE- SUPERLATIVE

Superlative of superiority (Superlativo de superioridade)

O grau superlativo de superioridade também se rege, tal como o como o grau comparativo de superioridade, pelo número de sílabas do adjectivo. Isto é, para um adjectivo de uma sílaba (monossilábico) a regra é diferente de um adjectivo com três ou mais sílabas (polissilábico). Neste sentido é importante verificar qual o número de sílabas do adjectivo com que estamos a trabalhar. Aqui vão alguns exemplos:

Polissilábico (três ou mais sílabas): comfortable/uncomfortable, beautiful, expensive, intelligent, fashionable/unfashionable, ...
Bissilábico (duas sílabas): modern, stupid, quiet, ...
Bissilábico (duas sílabas) terminado em "-y": pretty, healthy, ugly, heavy, happy...
Monossilábico (uma sílaba): cheap, big/small, tall/short, old/young, sad, ...

Para os adjectivos polissilábicos a regra de construção do grau comparativo de superioridade é bastante simples e similar ao Português:

the most (o/a/os/as mais) + adjectivo

Exemplo:
The sofa is the most comfortable. - O sofá é o mais confortável.

A maior parte dos adjectivos bissilábicos segue a regra dos adjectivos polissilábicos (ou pode ter duas formas: a dos polissilábicos ou a dos monossilábicos, mas agora só vamos falar da primeira):

Exemplo:
My cell phone is the most modern of all. - O meu telemóvel é o mais moderno de todos.

Uma parte dos adjectivos bissilábicos não segue a regra dos adjectivos polissilábicos. Trata-se dos adjectivos bissilábicos terminados em "-y", como, por exemplo, heavy e happy. Relativamente a estes adjectivos não se usa a regra de colocar the most antes do adjectivo. Aquilo que se faz é acrescentar ao adjectivo uma terminação: a terminação "-est". Ao acrescentarmos a terminação o "-y" passa ainda a "-i":

heavy (pesado) - the heaviest (o mais pesado)
happy (feliz) - the happiest (a mais feliz)

Exemplo:
An apple is the healthiest fruit. - Uma maçã é o fruto mais saudável.

Aos adjectivos monossilábicos aplica-se a mesma regra dos bissilábicos, excepto a mudança do "y" para "i", ou seja, aos adjectivos de uma sílaba acrescenta-se a terminação "-est" para formar o superlativo de superioridade:

old (velho) - the oldest(o mais velho)
small (pequeno) - the smallest (o mais pequeno)

Exemplo:
Anthony is the shortest of the three. - O António é o mais baixo dos três.

Nota:
Os adjectivos de um sílaba que terminam em uma vogal seguida de consoante dobram a consoante quando se acrescenta a terminação "-er":
big (grande) - the biggest
thin (magro) - the thinnest

Excepção:
Os adjectivos good (bom) e bad (mau) são irregulares. O seu superlativo de superioridade é o seguinte:
good - the best
bad - the worst

aCESSE E RESOLVA OS EXERCICIOS ON LINE:
http://www.ego4u.com/en/cram-up/grammar/adjectives-adverbs/adjectives/exercises

Frankenstein


Frankenstein, romance escrito no século XIX por Mary Shelley é um trabalho de grande tapeçaria literária, com referências a Milton e a outros grandes clássicos da literatura universal.
Victor Frankenstein, um estudante de medicina, revoltado diante da morte de sua mãe, isola-se do mundo e, obstinado, parte para a busca do ideal humano: a imortalidade.
A entrega a esta busca o faz criar e dar vida à criatura, protagonista do romance. Contudo, tal criatura possui estatura gigantesca e marcas profundas oriundas das várias cirurgias que seu criador o submeteu.
Pior que isto, não recebe nenhum nome, perdendo qualquer possibilidade de conseguir enquadrar-se socialmente.
Não sendo capaz de entender as vinculações de sua ação, o criador, abandona a criatura, afastando-o de qualquer elo afetivo. Totalmente sozinho, e à margem da sociedade, esconde-se de tudo e de todos e, nesta postura solitária, aprende o mundo através dos livros.
Determinado, a criatura, adotando o nome de seu criador – Frankenstein – determina-se ao aniquilamento de ambos e começa seu intento pelo assassinato dos entes mais queridos de seu criador: irmão, amigos e noiva.
Frankenstein é assim: um livro que fala da alma humana. É impossível lê-lo e não se identificar com todos os personagens que o constroem.
Revolta, amor, morte, dor, família, amizade, preconceito, desprezo, solidão e vingança são os ingredientes principais desta obra imortalizada pelo tempo.
Com certeza, Frankenstein vai seduzir você.
(http://pt.shvoong.com/books/72742-frankenstein/)


This article is about the novel. For the character, see Frankenstein's monster. For other uses, see Frankenstein (disambiguation).
Frankenstein;
or, The Modern Prometheus. Frontispiece to Frankenstein 1831.jpg
Author Mary Shelley
Country United Kingdom
Language English
Genre(s) Horror, Gothic, Romance, science fiction
Publisher Lackington, Hughes, Harding, Mavor & Jones
Publication date 1 January 1818
Pages 280
ISBN N/A

Frankenstein; or, The Modern Prometheus, is a novel written by Mary Shelley. Shelley started writing the story when she was 18 and the novel was published when she was 19. The first edition was published anonymously in London in 1818. Shelley's name appears on the second edition, published in France. The title of the novel refers to a scientist, Victor Frankenstein, who learns how to create life and creates a being in the likeness of man, but larger than average and more powerful. In popular culture, people have tended incorrectly to refer to the monster as "Frankenstein". Frankenstein is infused with some elements of the Gothic novel and the Romantic movement, and is also considered to be one of the earliest examples of science fiction. It was also a warning against the expansion of modern man in the Industrial Revolution, alluded to in the novel's subtitle, The Modern Prometheus. The story has had an influence across literature and popular culture and spawned a complete genre of horror stories and films.


FILME PARA BAIXAR
http://filmeedownload.blogspot.com/2009/05/frankenstein-de-mary-shelley-1994.html

LIVRO ON LINE EM INGLÊS
http://home.tiscali.nl/~hamberg/frankenstein/fulltext.html

terça-feira, 6 de julho de 2010

INGLÊS EM QUADRINHOS: mUITO MAIS ALÉM DO "TtHE BOOK IS ON THE TABLE"


ESTE SITE TRAS A BELEZA E ARTE DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COM O INTUITO DE SITUAR O LEITOR EM AÇÕES DE EFETIVA COMUNICAÇÃO EM LINGUA ALVO (LI) E SE NÃO CONSEGUIR ENTENDER EM PRIMEIRA MÃOLEIA AS INSTRUÇÕES. ANTES RIR ATRASADO QUE FICAR SEM ENTENDER NADA.

ACESSE


http://inglesemquadrinhos.blogspot.com/

Link English Language- Acesse os sites indicados

Este Site apresenta além da tradução de palavras exemplos de frases o que facilita a compreensão da palavra no contexto. A depender do exemplo você compreende a melhor aplicabilidade da palavra.

http://www.wordreference.com/pten/divertido

BUSSOLA ESCOLAR- ajuda a traduzir textos, mas lembre de adequar melhor as palavras ao contexto, pois o computador não substitue o homem. Textos devem ser entendidos, a ferramenta ajuda, facilita, mas não trabalha sem seu mentor" a inteligência humana".

http://www.bussolaescolar.com.br/tradutor.htm


PITITI

indicado para alunos iniciantes, ilustrado, facil e bom para adquirir vocabulário.Com atividades divertidas.
http://pititi.com/actividades/pt_en/letra_a.htm

INGLÊS ON LINE
DISPONIBILIZA ATIVIDADES DE GRAMÁTICA E você pode aprimorar seu conhecimentos fazendo e corrigindo as atividades. Muito bom para fiz=xar assuntos trabalhados.
http://www.inglesonline.com.br/exercicios-de-ingles/

Outras sugestões serão aceitas por favor comentem e deixem o link para enriquecer este espaço

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Receita de político corupto


Político desonesto
Se queres ganhar
Na próxima eleição
Aqui temos uma
Receita em mãos

Ingredientes:
1 kg de falsidade
1 kg de falta de vergonha
500g de mentiras
1/4 de enrolação
1/3 de todo o dinheiro da Prefeitura que puder por em suas mãos

Modo de fazer:
Junte todos estes ingredientes antecipadamente e não deixe para a ultima hora, misture com toda a sua lábia e prepare um bom discurso com muitas promessas absurdas e depois, é só aplicar em todos os eleitores que desejar.
OBS: Se sua atenção for boa é só esperar a correção das urnas que você será eleito.

Grupo:
Josélia Queiroz dos Santos
André Pereira Correia
Maucelha Nunes Profeta
Paulino Matias de Souza

ETEL: Escola de Teologia para Leigos




Data: 03 de Julho de 2010
Professora: Grace Itana
Equipe: Cleuza, Fernando, Ediene, Fabiana, Márcio, Patrícia, Isabeth e Maria de Lourdes.

Proposta: Texto Dissertativo sobre o Patriotismo dos brasileiros em tempos de Copa do Mundo
* Faltou título


Nota-se que em tempo de copa do mundo os brasileiros ficam mais ligados uns aos outros por um sentimento* de respeito e união para com um único objetivo, trazer mais uma taça para nossa coleção e assim desenvolver este sentimento de honra que temos sobre nosso país.
Este sentimento de patriotismo está relacionado ao seu processo histórico, das lutas dos que viveram e morreram para defender a soberania desta terra.
Mas em meios há* tantas lutas, o brasileiro, como sempre *mostra a sua garra e não desiste dos seus objetivos. Mostrando que tem capacidade para suportar perdas e ganhos.
De quatro em quatro anos este patriotismo volta a reinar, diante de um grande campeonato mundial, entre as melhores seleções,* visando trazer o titulo de campeão.

*Correção:
Pelos sentimentos, Assim, a, os brasileiros, demonstram, sem ponto ( , ), está o Brasil .

Plagiando John Lennon: “O Sonho Acabou!”


Proposta: Relato da partida Brasil X Holanda na óptica dos torcedores

Equipe:

Adeilson

Marilene

Poliana

Lila

Renata

Leandro

Shirley

No ultimo dia 02 de julho, às 11h, horário do Brasil, milhões de brasileiros voltaram seus olhares para tela da TV que transmitia o jogo Brasil X Holanda diretamente de Porto Elizabeth na África do Sul.

A partida parecia favorável à seleção brasileira que aos oito minutos de jogo com o passe de Luiz Fabiano para Daniel Alves, deixa Robinho na cara do gol par abrir o placar. Porém a arbitragem japonesa marca impedimento. Isso não abate o ânimo dos jogadores que armam boas jogas e aos dez minutos Felipe Mello lança Robinho que toca de primeira na saída do goleiro holandês para alegria da nação brasileira.

O jogo parecia dominado, o time de Dunga não dava espaço para a seleção holandesa. O futebol-arte começa a aparecer com dribles e belas jogadas findadas aos 46 minutos quando o árbitro encerra a primeira etapa deste confronto.

Se a primeira etapa encerrou em clima de confiança, essa realidade não se estabeleceu na segunda. Robinho que se destacou no primeiro tempo não estava 100%, mas até que se esforçou. Luiz Fabiano não se encontrou. A seleção bate cabeça e dá espaço para os holandeses e dos oito minutos o carrasco Sneyder tenta cruzamento que desviada em Felipe Melo e vai parar no fundo da rede.

Para completar o drama dos brasileiros aos vinte e três minutos, numa cobrança de escanteio, ele, Sneyder de cabeça marca o segundo gol.

O descontrole emocional entra em campo; Felipe Melo, que fez bela assistência ao gol brasileiro, não se conteve como prometeu e foi expulso aos vinte e oito minutos .As caras feias dos jogadores mostravam a realidade da partida.

Agora todos lutavam contra o relógio, mas nessa luta perdemos e para desespero dos brasileiros, adiamos o HEXA mais uma vez.

Manual prático para seleção brasileira


Equipe: Marcílio,

Creuza,

Jussimary,

Almerinda,

Leiziane e Kelly.

COMO FAZER GOLS E CONQUISTAR O HEXA


A copa do mundo é o evento futebolístico reservado às melhores seleções. Inserida neste contexto a seleção brasileira de futebol, embora detentora de cinco títulos mundiais deve atentar-se à aplicabilidade de sua técnica.

Segue algumas orientações, que se posta em prática, levará a seleção brasileira a garantir um saldo positivo de gols e conquistar o Hexa em 2014 ( Brasil).


1- Fora de campo:


* Não se submeter ao domínio dos pratocinadores;

* Ter à frente uma comissão técnica competente( técnico, preparador físico, médicos, etc);

* Fugir da arrogância e do estrelismo;

* Proporcionar aos jogadores um bom condicionamento físico e psicológico;

*Conhecer o perfil da equipe adversária;


2- Com a bola em jogo


* Percepção ampla do jogo;

* Não abrir mão do uniforme em que predomina o amarelo;

* Rapidez para tomar decisão;

* Velocidade para captar movimentos;

* Antecipar-se aos acontecimentos;

* Não esperar a bola chegar aos pés;

* Ser oportunista nas chances oferecidas pelos adversários;

* Ser certeiro no passe;

* Criar dribles inesquecíveis;

* Ter habilidade par armar jogadas;

domingo, 4 de julho de 2010

Produção textual- Curso em Livramento BA


Atividades proposta alunos do curso Teologia para Leigos 2º Ano

Tema Copa 2010 ( Jogo Brasil X Holanda)

01- Noticia de Jornal da Argentina circulando na internet
Equipe: Adinéia, Apareceida, Joilce, Thais e Maria José

Brasil chora desclassificação na copa da África

Na luta pelo hexa, campeonato mundial, o Brasil é esmagado pela " Laranja Mecânica", a incrivel Holanda.
O terinador Dunga certo da escolha para a formação da equipe, embora criticado por muitos brasileiros se colocou firme em sua postura e deixou para trás nomes que talvéz fizesse a diferença. " Aprendizado Dunga!"
Hoje, 02 de julho, os brasileiros voltam para casa mais cedo. Apesar da boa atuação no primeiro tempo, saindo na frente dos holandeses com um gol, no segundo tempo a situação se inverte e a Holanda ganha de virada.
Que Pena! E o nosso sonho de fazermos a final contra o Brasil? O hexa Brasil, quem sabe em 2014.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Varandas da Eva- ensaio

O conto intitulado: “Varandas da Eva”, do escritor amazonense, Milton Hatoum, instiga a imaginação do leitor a começar exatamente pelo título, pois o mesmo nos possibilita lembrarmos a história bíblica relatada no livro de Gênesis sobre o surgimento da humanidade. Porém, essa lembrança é revivida em uma vertente mais erótica, vinculada à sensualidade de uma mulher, no caso Eva, que por meio de sua artimanha feminina, consegue convencer o seu companheiro a “pecar”. Assim, pressupõe-se que a história evidenciada no conto, será uma narrativa de erotismo, visto que ele e conseqüentemente o sexo, em tempos remotos, era visto como prática pecaminosa que não conduzia os seres humanos ao reino dos céus, denominado de paraíso pela religião cristã.

Isso significa que os pensadores cristãos encaravam o sexo como um mal necessário, lamentavelmente indispensável para a reprodução humana, mas que perturbava a verdadeira vocação de uma pessoa – busca da perfeição espiritual, que transcende a carne. É por isso que os ensinamentos cristãos exaltam o celibato e a virgindade como as mais elevadas formas de vida. O que marcou a ruptura decisiva com a antiguidade pagã. (RICHARDS, 1992, p.34).

Além de “Eva” propiciar ao leitor essa inferência de um conto baseado em questões amorosas e, sobretudo eróticas, a preposição “da”, conduz a uma reflexão complementar: não é qualquer mulher revelada na história, mas sim “a Eva”, “a varanda(s) não é de Eva”, e sim daquela mulher que provavelmente é diferente de todas as outras, ela é especial, porque possui elementos de sensualidade que não estão presentes em qualquer uma. Desse modo, a preposição “da”, faz toda a diferença para se perceber a especificidade e a unicidade de uma mulher dentre todas as outras.
Outra palavra que nos chama a atenção é “a varanda (s)” que é da Eva. O dicionário Aurélio (2001, p.901), nos dá as seguintes definições para essa palavra. “Varanda – 1. Terraço com coberta que fica na frente das casas; alpendre; 2. Gradeamento de sacadas ou de janelas abertas ao nível do pavimento; 3. Balcão, sacada.”
Certamente a definição de número um é a mais conhecida por nós. Assim, a concepção que temos de varanda, é exatamente a de um alpendre, o qual se utiliza para descansar, para reunir com os amigos em um dia ensolarado, um lugar de conforto e extremo prazer. Mas também é o lugar da casa que exala romance. Desse modo, “a varanda” tem sido palco de estórias vivenciadas por muitos amantes relatados em diversas obras literárias. Nesse mesmo sentido a pluralização da palavra Varanda(s) pode ser analisada sobre a óptica deste espaço como objeto multiplicador. O lugar é um só, mas o significado que ele tem para seus freqüentadores é único e múltiplo ao mesmo tempo, pois não há apenas um freqüentador, mas muitos. No entanto, a mulher, Eva é única. Será que ela agia assim com todos os homens? É a pergunta que o leitor se faz.
É importante considerar também o lugar onde o conto acontece: Manaus que, para o próprio autor, é uma cidade portuária que além de avivar a memória do narrador é um lugar de aventuras. Alessandro Atanes (2009) em entrevista com Hatoum fala sobre as aventuras do autor durante a infância no porto de Manaus onde o avô o levava. Lá ele via pessoas diferentes, já que Manaus era uma cidade portuária, cosmopolita e tinha um movimento intenso colorido, onde também circulavam histórias. Por isso a cidade portuária é onde ocorre a experiência da narração, lembrando que de acordo com a etimologia, narrador é aquele que conhece, isto é, é aquele que, no caso, ouve as histórias que chegam ou partem. Aqui o lugar de onde chegam e partem é o porto. Benjamim Walter (1994, p.16) analisa a relação entre o narrador e sua matéria - a vida humana – e questiona: não seria esta uma relação artesanal? “Não seria tarefa do narrador trabalhar a matéria-prima da experiência - a sua e a dos outros - transformando-a num produto sólido, útil e único?” Segundo ele, o que diferencia o texto literário de uma simples notícia é o sabor da narrativa despida das explicações da informação jornalística. A narrativa faz com que ouvinte/leitor se esqueça de si mesmo enquanto a acompanha. E acrescenta ainda dizendo que o ouvinte/leitor, sem se distanciar de seu trabalho, não abrevia ou sintetiza a obra; ele é paciente como o narrador, obedece ao fluxo do tempo com sensibilidade e disciplina.
[...] o narrador figura entre os mestres e os sábios. Ele sabe dar conselhos: não para alguns casos, como o provérbio, mas para muitos casos, como o sábio. Pois pode recorrer a um acervo de toda uma vida (uma vida que não inclui apenas a própria experiência, mas em grande parte a experiência alheia. O narrador assimila à sua substância mais íntima aquilo que sabe por ouvir dizer). Seu dom é poder contar sua vida; sua dignidade é contá-la inteira. O narrador é o homem que poderia deixar a luz tênue de sua narração consumir completamente a mecha de sua vida. (BENJAMIN, 1994, p. 221).

Benjamin Walter (1994) menciona que o narrador em exercício de seu trabalho exerce função semelhante ao camponês ou marinheiro. Para tanto analisa a presença do camponês sedentário e do marinheiro comerciante como arquétipos repletos de histórias contadas nos primórdios das narrativas orais, que na visão dele se constituem num processo mais amplo que apenas transmitir informações. Para ele a narração não é somente o conjunto de entonação de vozes, mas, sobretudo comporta uma riqueza de detalhes e de beleza por meio de gestos que avivam as histórias e as tornam mais interessantes conduzindo-nos a uma imaginação mais real e concreta. Além de enfatizar a importância da narrativa, Benjamin Walter faz referência também, ao surgimento do romance, enfatizando que o narrador contemporâneo se encontra mais solitário, pois escreve sozinho, e muitas vezes nessa escrita, ele se dilui, porque em algum momento o que ele escreve tem o intuito de apenas informar. De algum modo, talvez esse seja um dos maiores desafios do narrador: conseguir descrever as coisas, os sentimentos, a percepção do mundo a sua volta, de uma forma que transmita vivacidade e permita ao leitor inúmeras possibilidades de imaginar, viver e reviver emoções por meio de uma literatura que evoluiu, mas que necessita preservar também características de uma narrativa que é milenar.
O conto “Varandas da Eva” possuidor de uma narrativa envolvente conduz o leitor pela sutileza do narrador personagem a seu tempo de infância. Ele remete o leitor a uma época em que a velocidade da modernidade não podia acelerar o ritual de experiências e costumes típicos de um lugar onde as crianças poderiam brincar na rua e a camaradagem entre adolescente ainda era capaz de propiciar deliciosas traquinagens. Todavia, o mistério se instala quando é mencionada a experiência tão sonhada em conhecer a Varandas da Eva. É sabido que a adolescência é caracterizada pela falta de um lugar totalmente delimitado, pois ora se é jovem demais ora não é mais criança. Assim, vivem perdidos no tempo à espera que o passar dos anos ao lado das experiências possa delinear um horizonte e inaugurá-los na tão sonhada juventude. Percebemos essa relação na narração quando este desejo se mostra logo no início do conto:

Não era longe do porto, mas naquela época a noção de distância era outra. O tempo era mais longo, demorado, ninguém falava em desperdiçar horas ou minutos. Desprezávamos a velhice, ou a ideia de envelhecer; vivíamos perdidos no tempo, as tardes nos sufocavam, lentas: tardes paradas no mormaço. Já conhecíamos a noite: festas no Fast Clube e no antigo Barés, bailes a bordo dos navios da Booth Line, serenatas para a namorada de um inimigo e brigas na madrugada, lá na calçada do bar do Sujo, na praça da Saudade. Às vezes entrávamos pelos fundos do teatro Amazonas e espiávamos atores e cantores nos camarins, exibindo-se nervosamente diante do espelho, antes da primeira cena. Mas aquele lugar, Varandas da Eva, ainda era um mistério. (HATOUM, 2009, p.7)

O adolescente sente muito prazer em desafiar e desvendar os mistérios que os seduzem e fascinam. Os hormônios ávidos por emoção fazem com que todo esforço mental e físico se volte para transpor os limites que impelem a tão sonhada experiência amorosa. Stendhal (2007) descreve os tipos de amor e especificamente sobre o amor físico afirma que “Todo mundo conhece o amor fundado nesse gênero de prazer; por mais seco e infeliz que seja o caráter, começa-se por aí aos dezesseis anos.” (p. 11). Nesse caso podemos ainda complementar com a idéia de Schopenhauer (2004) quando este fala sobre as características dos sexos. O homem se sente fascinado pelo corpo da mulher, sua estatura e modo de andar somado aos olhares podem seduzir um homem. Os adolescentes geralmente sonham estar com mulheres “feitas” porque eles desejam ver e tocar corpos cheios e bem formados. E é com características semelhantes que o narrador descreve a sua experiência no conto Varandas da Eva. Instigados pelos relatos de outros que se gabam de suas noitadas de sexo, os pentelhos se roem de inveja e ansiedade. Assim é que o narrador personagem via o tio Ran. Homem feito que contava aos mais jovens as proezas de freqüentar as noitadas na companhia de mulheres.
Mas vocês precisam crescer um pouquinho, as mulheres não gostam de fedelhos. Invejávamos tio Ran, que até se enjoara de tantas noites dormidas nas Varandas. A vida, para ele, dava outros sinais, descaía para outros caminhos. Enfastiado, sem graça, o queixo erguido, ele mal sorria, e lá do alto nos olhava, repetindo: Cresçam mais um pouco, cambada de fedelhos. Aí levo todos vocês ao balneário. (HATOUM,2009,p.8)

A não preferência das mulheres por “fedelhos”, incita-nos a recorrermos as ideias de Schopenhauer (2004) que nos revela que as mulheres gostam de homens por volta de 30 a 35 anos, pois nessa faixa etária se encontram no apogeu da procriação, que tenham força e coragem e apresentam características de masculinidade. Mas essa busca por prazer experimentada pelo tio Ran não tornava sua vida mais alegre. As noitadas traziam-lhe enjôo e o fato de parecerem sem graça nos remete a alguma desilusão amorosa.. [...] “a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda,...” [...] “Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”“. (BAUMAN, 2004, p.19)
A fragilidade das relações e a velocidade dos acontecimentos na vida do homem contemporâneo que anseia por manter laços afetivos, mas quer que estes sejam frouxos é questionada por Bauman em seu livro Amor Líquido (2004). O tio Ran personagem do conto é homem adulto e pela descrição apresentada no conto está cansado de amores esporádicos, pois como afirma Bauman estas paixões são frustrantes. Segundo este mesmo autor, manter os relacionamentos de bolso, fáceis e passageiros, pode até dar algum prazer, mas não trazem a plenitude que só o amor construído e cultivado pode proporcionar. O que se podia ter nas Varandas da Eva? Comprava-se prazer. Bauman compara esse tipo de relacionamento ao ato de consumo. Semelhante fato ocorre nos shoppings centers, as pessoas se olham, sentem desejo e buscam a satisfação imediata como se pudesse consumir o outro. Observamos nos dias atuais a sede por sexo sem compromisso. A concepção masculina muitas vezes compreende o ato sexual como uma prática de esporte. O iniciado precisa desenvolver as habilidades sexuais urgentemente, caso contrário, corre sério risco de ter seu membro atrofiado. Bauman critica esta postura quando afirma que esse tipo de experiência nada acrescenta ao bom e maduro relacionamento amoroso.
Pode-se até acreditar (e frequentemente se acredita) que as habilidades do fazer amor tendem a crescer com o acúmulo de experiências; que o próximo amor será uma experiência ainda mais estimulante do que a que estamos vivendo atualmente, embora não tão emocionante ou excitante quanto a que virá depois. [...] outra ilusão... ( BAUMAN, 2004, p.19).

Se de um lado Bauman critica o exagero e velocidade de ter e se desfazer uma relação amorosa, Arthur Schopenhauer (2004) afirma que todo enamorar-se se enraíza unicamente no impulso sexual que absorve a metade das forças e pensamentos da parte mais jovem da humanidade. A escolha do (a) parceiro (a) segundo este, é fruto do instinto bem determinado, nítido, complicado, uma escolha tão sutil, séria e obstinado para a satisfação sexual. Para o outro a escolha do parceiro certo depende de tempo e maturidade no relacionamento. Enquanto para um o momento da sedução é como vinho suave que docemente nos envolve e estonteia para outro o momento é pouco o que deve perpetuar é a valorização do outro e reconhecimento de suas identidades, sendo portanto amor construído e compartilhado. No conto o narrador faz uma revelação da magia do encontro, os olhares e gestos daquela desconhecida era um convite para o enlace do desejo sexual segundo Schopenhauer.
Na luz vermelha, quase noite, Minotauro me cutucou: uma mulher sorria para mim. Não vi mais o Minotauro, nem quis saber do Gerinélson. Só olhava para ela, que me atraía com sorrisos; depois ela me chamou com um aceno, girando o indicador, me convidando para dançar. Não era alta, mas tinha um corpo cheio e recortado, e um rostinho dos mais belos, com olhos acesos, cor de fogo, de gata maracajá. Dançamos três músicas, e dançamos mais outras, parados, apertadinhos, de corpo molhado. (HATOUM, 2009, p.10).

Em Stendhal (2007) podemos analisar o trecho acima onde percebemos que a necessidade de descrever os traços femininos revela como talvez os homens, que não sejam suscetíveis de experimentar o amor-paixão, sentem mais vivamente os efeitos da beleza; ao mesmo tempo a beleza física é a impressão mais forte que podem receber das mulheres. Quando não se conhece o outro, encontramos nele qualidades que nos faltam. No momento em que o narrador faz referência ao “corpo cheio e recortado” da mulher que estava dançando, evidenciam-se as idéias de Schopenhauer com relação à preferência dos homens por mulheres possuidoras de um esqueleto com proporções corpóreas com abundância de carne que conduzem a um bom desenvolvimento do feto, enfocando assim, a possibilidade da procriação que segundo ele é a finalidade do amor-procriar. A inexplicável química e a vontade irracional que atrai os sexos, masculino e feminino, também são evidenciadas pelo referido autor na frase: “só olhava para ela, que me atraía com sorrisos” (p.10). Além disso, é notória a presença do prazer e erotismo, abordados na obra de Octavio Paz (1994), A dupla chama: amor e erotismo, no momento em que o jovem relata: “Dançamos três músicas, e dançamos mais outras, parados, apertadinhos, de corpo molhado” (p.10). O desejo e o prazer carnal do rapaz se encontram explícitos na frase, demonstrando o surgimento de uma reação prazerosa que domina por completo o seu corpo e toma conta do seu ser. E ainda de acordo Stendhal (2007, p. 12):

O certo é que, em qualquer gênero do amor a que devamos os prazeres, desde que haja exaltação da alma, eles são fortes, e sua lembrança impulsiona; e nessa paixão, ao contrário da maioria das demais, a lembrança do que perdemos parece sempre superior ao que podemos esperar do futuro.


Dessa forma, podemos sintetizar essas questões na obra de Paz, quando é mencionado que: “a sexualidade é animal; o erotismo é humano”. (Paz, 1994, p.100-101). O narrador classifica o momento vivenciado com a mulher como inesquecível, no entanto, dela ele só sabia coisas do sexo. Não podia ter acesso ao nome, pois assim, sem referência, jamais poderia encontrá-la caso desejasse. O nome é uma referência forte e muitas mulheres do sexo usam pseudônimos. Nesse caso ela permitiu apenas as lembranças do momento sem passado nem futuro. Assim como Bauman (2004) faz referência ao amor como momento único sem história passada e sem previsões futuras para o narrador aquele momento se eternizou.

Ela me ensinou a fazer tudo, todos os carinhos, sem pressa, com o saber de mulher que já amou e foi amada. Passamos a noite nessa festa, sem cochilo, e muitos risos, de só prazer. Fez coisas que davam ciúme, carícias que não se esquecem. Perguntei como ela se chamava. Ela disfarçou, e disse, rindo: Meu nome? Tu não vais saber, é proibido, pecado. Meu nome é só meu. Prometo. (HATOUM,2009,p.11 )

A descrição do jeito de olhar revela coisas que só o coração pode sentir. “Tia Mira dizia que eu estava babado de amor. Estás tonto por uma mulher, ela ria, observando meu devaneio triste, meu olhar ao léu” (Hatoum, 2009, p.11-12 ). As lembranças de momentos e pessoas duram de acordo a importância que se dá a eles. Muitos dizem que o primeiro amor nunca se esquece e de fato grande parte das pessoas se lembra do primeiro beijo e quase nenhuma delas esquece a primeira transa. Esses momentos de intimidade partilhada mesmo não sendo boas tendem a serem lembradas. O narrador guardou essa lembrança com vestígios de uma paixão incontida. E ele próprio questiona o seu desejo de saber o nome dela e conclui que basta o momento e sua magia. “A voz e a risada bastavam, minha curiosidade diminuía. Nome e sobrenome não são aparências?” (Hatoum, 2009, p. 11). Semelhante reflexão acerca do nome, que nada mais é que as aparências que coíbem os amantes, também são mostradas no romance de Shakespeare - Romeo e Julieta.

JULIETA - Romeu, Romeu! Ah! Por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
[...]
JULIETA - Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira. (SHAKESPEARE, Cena II, 2000)

Desse modo, fica evidente a paixão súbita que envolve os personagens apaixonados. O sentimento ultrapassa os limites do nome, pois o amor não obedece aos preconceitos. A sociedade hipócrita traça o destino das pessoas em patamares diferentes daqueles traçado pelo coração: classe social. Muitos casais se formam por medo da solidão, por interesses e a infelicidade conjugal maltrata os corações. Em Hatoum, o narrador - personagem apesar de aparentemente não saber nada de sua amada, se deixou levar pelo “fogo” desse sentimento que invadiu a sua alma e o corpo, fazendo-o esquecer de tudo e de todos, pois naquele instante só existiam “eles dois” e ela era a “única”, era a mulher que ele desejava. E em Shakespeare mesmo sabendo das limitações que envolvem suas famílias os apaixonados desejam ardentemente renegar seus nomes em prol de viver este amor. Vale lembrar que a literatura retrata também costume e valores de um povo em um dado momento histórico. O nome da família na sociedade inglesa era algo muito importante que jamais deveria ser contestado. No entanto, Shakespeare vem questionar os valores de seu tempo. O que é mesmo importante, o sentimento que une as pessoas ou as aparências? O amor se mostra forte e rouba a cena, desfaz o ódio e planta a esperança de união. Segundo Paz (1994, p.34):
(...) esta é uma linha que marca a fronteira entre o amor e o erotismo. O amor é atração por uma única pessoa: por um corpo e uma alma. O amor é escolha; o erotismo, aceitação. Sem erotismo – sem forma visível que entra pelos sentidos – não há amor, mas este atravessa o corpo desejado e procura a alma no corpo e, na alma, o corpo. A pessoa inteira.

Assim, a partir do trecho anterior, quando a tia do personagem menciona que ele ama aquela mulher e por meio da vasta literatura que se tem sobre esse sentimento percebe-se que “o amor” existe em todas as épocas em todas as classes. Mas de acordo com Paz (1994) “é preciso distinguir entre o sentimento amoroso e a idéia do amor adotada por uma sociedade e uma época”. Pois ainda hoje, na sociedade contemporânea, a concepção, a idéia que se tem do amor, é que ele não pode ser vivenciado com uma prostituta, pois a ela está reservada somente a possibilidade de “oferecer sexo e prazer” e não amor. No entanto, no olhar do referido autor: “o sexo é a raiz, o erotismo é o talo, e o amor, a flor” (p. 37). Esses sentimentos se completam sem um deles nunca se atingirá a tão sonhada cumplicidade e realização amorosa.
É interessante notar a concepção de tempo vivenciado pelo narrador. O tempo passa, os amigos tomam seus destinos, a vida fica diferente.
E já não era jovem. A gente sente isso quando as complicações se somam, as respostas se esquivam das perguntas. Coisas ruins insinuavam-se, escondidas atrás da porta. As gandaias, os gozos de não ter fim, aquele arrojo dissipador, tudo vai se esvaindo. E a aspereza de cada ato da vida surge como um cacto, ou planta sem perfume. Alguém que olha para trás e toma um susto: a juventude passou. (HATOUM, 2009, p. 13).

Mas em outro momento ele contradiz a essa relação com o tempo quando a sua memória resgata a lembrança da mulher que aos seus olhos permanece a mesma de outrora. A juventude ainda presente naquele rosto nos faz crer que para as recordações o tempo permanece estagnado e resiste a toda e qualquer modificação. O coração em sintonia com a memória revive as emoções mais íntimas e fortes como se o ontem fosse agora. Isso ocorre porque “(...) pelo amor roubamos ao tempo que nos mata umas quantas horas que transformamos, às vezes, em paraíso e outras em inferno”. (Paz, 1994, p. 117).

À porta apareceu uma mulher para apanhar o cesto. Reapareceu em seguida e acenou para Tarso. Num relance, ela ergueu a cabeça e me encontrou. Estremeci. Eu ia virar o rosto, mas não pude deixar de encará-la. Ela me atraía, e a lembrança surgiu agitada, confusa. A voz dela chamou: Meu filho! A mesma voz, meiga e firme, da moça, da mulher da casinha vermelha, no balneário Varandas da Eva. Era a mãe do meu amigo? Isso durou uns segundos. Por assombro, ou magia, o rosto dela era o mesmo, não envelhecera. Mal tive tempo de ver os braços e as pernas, a memória foi abrindo brechas, compondo o corpo inteiro daquela noite. (HATOUM, 2009, p. 14).

É notório que o narrador ao perceber que ele não era mais jovem, misteriosamente vê a mulher a quem tanto procurara, ali, diante dos seus olhos, com a mesma beleza juvenil de outrora. Ou talvez a “juventude” que o mesmo estava vendo nela, era simplesmente a magia do seu olhar apaixonado, do seu intenso desejo que ficara preso no passado, mas que se tornava presente naquele instante.
O amor é intensidade, não nos presenteia com a eternidade, mas sim com a vivacidade, esse minuto no qual se entreabrem as portas do tempo e do espaço - aqui é mais além e agora é sempre. No amor tudo é dois e tudo tende a ser um. (Paz, 1994, p. 118)

É por esse motivo que o narrador ficou em êxtase quando reencontrou a mulher que lhe deu prazer, numa relação repleta de erotismo e porque não dizer também de amor? Talvez esse “amor”, nunca tenha sido correspondido, mas é exatamente nesse aspecto que esse sentimento considerado universal se difere da amizade, pois numa relação entre amigos, é preciso haver a recíproca, enquanto podemos amar e desejar alguém sem que o outro sequer saiba que existimos. Mas instantaneamente vem a descoberta, o susto, a surpresa, a decepção.
Nessa perspectiva, “o amor é trágico” (PAZ, 1994, p.105), pois mesmo não querendo, inúmeras vezes sofremos por amor, desejamos ardentemente alguém com todas as nossas forças, de corpo e alma. E de repente, perdemos essa pessoa, pelos mais distintos motivos, sejam eles pela dor da separação diante da morte de um dos amantes, pelo medo de amar, pelo tempo, pela distância geográfica e muitas outras, logo todos esses aspectos fazem parte do “separar-se”.
O desfecho surpreendente da trama vem dessa descoberta, o porquê da separação, pois a história relata o momento fervoroso de prazer, paixão, desejo e erotismo vivenciados naquele ambiente iluminado por velas vermelhas e não revela o motivo o qual instigou a mulher a desaparecer sem deixar pistas, deixando o homem que conhecera “o fogo de amar sem ser amado” desolado. A partir de tal desaparecimento, o conto nos instiga a imaginar várias possibilidades, várias razões que suscitaram a mulher não querer mais ver “aquele amante”, companheiro de instantes tórridos. E esse motivo só nos é mencionado quando lemos extasiados a frase proferida por ela: “Meu filho!” Conclui-se que a mulher com quem esteve o narrador era a mãe de seu amigo Tarso. A quem chamou de desmancha prazer por não querer entrar na casa de luzes vermelhas naquela noite maravilhosa.
A surpresa e recordações revividas se misturaram e ali se finda uma história de uma aventura ou desventura de um menino-homem percorrendo os caminhos do amor e sexo. Ambos se diferem e se completam. Erotismo, paixão e amor três emoções desejadas pela humanidade. Sentimentos que provocam prazer, felicidade, incertezas e muitas vezes dor. Sentimos dor por não ser correspondido, por perder o outro a quem amamos ou dor em não poder dominar nossas emoções e amar a quem nos ama ou mesmo quem mereça nosso carinho e atenção. Mas o amor é um sentimento livre de nossa manipulação e estamos sempre a mercê das loucuras do coração divagando entre momentos inesquecíveis e trágicos na esperança de um dia poder experimentar o eclipse do amor-paixão.












REFERÊNCIAS:
ATANES, Alessandro. Entrevista com Milton Hatoum- Porto Literário, em 06 de setembro de 2009 às 12:22 h.<>
BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004
BENJAMIN, Walter. O Narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
DURIGAN, Jesus Antônio. Erotismo e Literatura. São Paulo: Ática, 1985.
MURARO, Rose Marie. A Mulher do Terceiro Milênio: Uma História Através dos Tempos e suas Perspectivas para o Futuro.Rio de Janeiro, 2°Ed: Rosa dos Tempos, 1992.
PAZ, Octavio. A dupla chama: Amor e Erotismo. São Paulo: Siciliano, 1994.
PRAZ, Mário. A Carne, A Morte e o Diabo na Literatura Romântica.Tradução: Philadelpho Menezes.Campinas, SP: Editora UNICAMP, 1996.
______________. Um Mais Além Erótico: Sade. Tradução: Wladir Dupont. São Paulo: Paulo: Mandarim, 1999.
RICHARDS, Jeffrey. Sexo Desvio e Danação: As Minorias da Idade Média. Tradução: Antônio Esteves da Rocha e Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993.
SCHOPENHAUER, Arthur. Metafísica do Amor. Metafísica da Morte. São Paulo: Martins Fontes, 2004
STENDHAL. Do Amor. Porto Alegre: L&PM, 2007.
VICENTE, Josélia Aparecida Pires. O erotismo em sua evolução histórico-cultural: a saga da temática mais repelida e cobiçada da Literatura. Disponível em: < http://www.alb.com.br/anais15/alfabetica/VicenteJoseliaAparecidaPires.htm > Acessado em 16 de outubro de 2009.
SHAKESPEARE, William. Romeo e Julieta. Disponível em: <file:///C/site/LivrosGrátis/romeuejulieta1.htm (19 of 61) [02/04/2001 16:46:40> Atualizado em Julho de 2000. Acesso em 27de outubro de 2009.

domingo, 8 de março de 2009

Mulher...


Mulher..
Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis

Que divide sua alma em duas

Para carregar tamanha sensibilidade e força

Que ganha o mundo com sua coragem

Que traz paixão no olharMulher,

Que luta pelos seus ideais,

Que dá a vida pela sua famíliaMulher

Que ama incondicionalmente

Que se arruma, se perfuma

Que vence o cansaçoMulher,

Que chora e que ri

Mulher que sonha...

Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,

Cheias de mistérios e encanto!

Mulheres que deveriam ser lembradas,amadas, admiradas todos os dias...

Para você, Mulher tão especial...

Feliz Dia Internacional da Mulher!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Interdisciplinaridade




INTER/DISCIPLINAR/IDADE deriva da palavra primitiva DISCIPLINAR (que diz respeito à disciplina), por prefixação (INTER- ação recíproca, comum) e sufixação (DADE - qualidade, estado ou resultado da ação. Disciplina refere-se à ordem conveniente a um funcionamento regular. Originariamente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior. Significa também MATÉRIA (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo) tratada didaticamente, com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais. É uma palavra muito presente em instituições como o exército, a fábrica e a Igreja, que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal. A interdisciplinariedade, para ser exercida coletivamente, requer o diálogo aberto através do qual cada um reconhece o que lhe falta e o que deve receber dos demais.(JAPIASSU, 1976, p. 89). A Segundo IVANI Fazenda (1998; 13): “Um olhar interdisciplinar atento recupera a magia das práticas, a essência de seus movimentos, Exercitar uma forma interdisciplinar de teorizar e praticar educação demanda, antes de qualquer coisa, o exercício de uma atitude ambígua.”Japiassú e Ivani Fazenda são considerados responsáveis pela veiculação da interdisciplinaridade no Brasil, os dois autores têm como base de suas teses a filosofia do sujeito. De acordo com eles, a interdisciplinaridade é apontada como saída para o problema da disciplinaridade, que deve portanto, ser superada, através da prática interdisciplinar. Demo (1998), sem pretender anular a disciplinaridade, e, ao mesmo tempo, admitindo as mudanças que se registram no campo da metodologia das ciências, mostra que a ciência, mesmo que seja articulada de maneiras diferentes, que utilize métodos qualitativos e mais flexíveis, na tentativa de adquirir o conhecimento do todo, não prescinde da formalização do objeto de pesquisa. Para ele, a ciência evoluiu a tal ponto, graças à especialização, que permitiu um amadurecimento calcado na “[...] superação do olhar superficial, entrando na direção analítica do real” (p. 84) . Para observância da interdisciplinaridade é preciso entender que as disciplinas escolares resultam de recortes e seleções arbitrários, historicamente constituídos, expressões de interesses e relações de poder que ressaltam, ocultam ou negam saberes. Na pré-história, com o surgimento da agricultura e o poder centrado na posse da terra. O advento da revolução industrial (idade moderna), marca a passagem para a segunda onda, com o poder centrado no capital. É neste contexto que surge a escola pública, não a serviço do homem, mas da fábrica, com o objetivo de preparar mão de obra para a indústria, de treinar, disciplinar, subjugar o homem, para torná-lo operário. Enquanto instituição social, a escola é sempre orientada pelo tipo de homem que deseja formar. Portanto, para o século XVIII, este era o modelo de escola necessária. Paralelamente à revolução industrial, o século XVIII é marcado também pelo surgimento do Positivismo, corrente filosófica iniciada com A. Comte, em oposição à Filosofia clássica, por ele considera da pré-histórica e negativa. Reagindo às tendências iluministas, o Positivismo prega a objetividade, a universalidade e a neutralidade como exigências do conhecimento científico. Para os positivistas, só é positivo o que é certo, real, verdadeiro, inquestionável, que não admite dúvidas, que se fundamenta na experiência, sendo, portanto, prático, útil, objetivo, direto, claro. Foi na escola que o impacto do Positivismo se fez sentir com maior força, em parte devido à influência da Psicologia e da Sociologia - ciências auxiliares da educação e nascidas sob a égide do Positivismo - gerando o pragmatismo e o empirismo nas práticas e instituições escolares e atendendo aos interesses da classe social dominante. Na gênese deste modelo de escola, destacam-se ainda as influências marcantes da Igreja - com seus dogmas e sacramentos, sobretudo a penitência, determinando práticas como a avaliação, as punições e proibições e a apresentação de verdades prontas e definitivas - e da ideologia política dominante. Fragmentando-se o conhecimento acumulado, através de um currículo multidisciplinar, fragmenta-se o próprio homem (o aluno e o professor), que fica então fragilizado e é facilmente dominado. Século XIX desenvolvimento industrial esteve diretamente associado à idéia de progresso. País industrial significava país desenvolvido. Assim, houve grande interesse em financiar e disseminar a organização industrial e, com ela, o aumento de produtividade e da capacidade de transformação da natureza. Esta filosofia deu lugar à racionalização e padronização da produção. O padrão, neste caso, orientava o trabalho fabril e era a indicação, racionalmente elaborada, da forma correta de se trabalhar. Assim, nasce a especialização (ou padronização de movimentos e saberes direcionados para um determinado fim, movimento ou ação produtiva), que nada mais era que a divisão do saber holístico, ou global (ou monista, como preferia Vygostky), em um saber dividido em partes, em departamentos. Pode-se perceber a relação direta desta proposição com a concepção curricular que divide os saberes humanos em partes, em matrizes. Mas hoje, no limiar do século XXI, quando vivemos a terceira onda, a era da informática, em que é a posse da informação que garante o poder, precisamos de um novo modelo de escola. E mais: alguns campos de saber são privilegiados em sua representação como disciplinas escolares e outros não. O desenvolvimento das ciências e os avanços da tecnologia, no século XX, constataram que o sujeito pesquisador interfere no objeto pesquisado, que não há neutralidade no conhecimento, que a consciência da realidade se constrói num processo de interpenetração dos diferentes campos do saber.Ao sistematizar o ensino do conhecimento, os currículos escolares ainda se estruturam fragmentadamente e muitas vezes seus conteúdos são de pouca relevância para os alunos, que não vêem neles um sentido. Interdisciplinaridade se realiza como uma forma de ver e sentir o mundo. De estar no mundo. Se formos capazes de perceber, de entender as múltiplas implicações que se realizam, ao analisar um acontecimento, um aspecto da natureza, isto é, o fenômeno dimensão social, natural ou cultural... . Somos capazes de ver e entender o mundo de forma holística, em sua rede infinita de relações, em sua complexidade. Tendo situado a gênese da escola no tempo, podemos entender melhor as influências que marcaram sua origem e evolução, determinando suas características estruturais e funcionais. Seu currículo foi planejado para formar pessoas disciplinadas, submissas, obedientes, organizadas, metódicas, nada criativas ou questionadoras. Daí o uso do uniforme, da fila , do horário e da disciplina rígidos, do silêncio e da passividade em sala de aula, do trabalho individual e isolado. Estas influências se fazem sentir também na terminologia específica do vocabulário escolar, de seus instrumentos, usos e costumes, como: formatura, matéria, sirene, cópia de modelos, programas previamente determinados, aprendizagem delimitada, caderneta escolar (cartão de ponto), comportamento controlado, carteiras fixas - e até mesmo em sua arquitetura. Entre as razões que temos para buscar uma transformação curricular, passa também uma razão política muito forte: hoje vivemos numa democracia, e queremos formar pessoas criativas, questionadoras, críticas, comprometidas com as mudanças, e não com a reprodução de modelos. Surge, assim, uma nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência entre os diversos campos de conhecimento, superando-se o modelo fragmentado e compartimentado de estrutura curricular fundamentada no isolamento dos conteúdos. Ora, todos estes avanços exigem um repensar do currículo escolar, baseado na idéia de rede de relações , eliminando-se os ?redutos disciplinares?, em prol de uma proposta interdisciplinar. Um currículo escolar atualizado não pode ignorar o modo de funcionamento da mente humana, as necessidades da aprendizagem e as novas tecnologias informáticas, diretamente associadas à concepção de inteligência. É preciso hoje pensar o conhecimento (e o currículo) como uma ampla rede de significações e a escola como lugar nào apenas de transmissão do saber, mas também de sua construção coletiva. Temos de considerar ainda as razões psicopedagógicas que nos levam a propor um currículo interdisciplinar e que estão relacionadas com os conhecimentos já adquiridos sobre o funcionamento do cérebro humano e os processos de conhecimento e de aprendizagem. Os avanços significativos da Psicologia genética nos permitem hoje conceituar , com Piaget, inteligência como a capacidade de estabelecer relações; confrontar, com Vigotsky, o desenvolvimento de conceitos espontâneos e científicos; admitir, com Gardner, a idéia de inteligência múltipla, o que implica em uma série de competências a serem desenvolvidas pela escola: competência linguística, lógico-matemática, espacial, cinestésica, musical, pictórica, intrapessoal e interpessoal. No novo conceito de papel social da educação, a escola tem a função de construir, pela práxis, uma nova relação humana, revendo criticamente o acervo de conhecimentos acumulados e tomando consciência da participação pessoal na definição de papéis sociais. Para que este novo papel social da educação se cumpra, é preciso rever o funcionamento da escola, não só quanto a conteúdos, metodologias e atividades, mas também quanto à maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular, como: a auto-expressão (livre, crítica, criativa, consciente); a auto-valorização (reconhecimento da própria dignidade); a co-responsabilidade (iniciativa, participação, colaboração); a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento (estabelecendo rede de significação interdisciplinar), entre outros. Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou pistas para uma transformação curricular e que exigem mudanças de atitude, procedimento, postura por parte dos educadores: · perceber-se interdisciplinar, sentir-se parte do universo e um universo à parte (Fazenda 1991)- (resgatar sua própria inteireza, sua unidade); · historicizar e contextualizar os conteúdos (resgatar a memória dos acontecimentos, interessando-se por suas origens, causas, conseqüências e significações; aprender a ler jornal e a discutir as notícias); · valorizar o trabalho em parceria, em equipe interdisciplinar, integrada (tanto o corpo docente como o corpo discente), estabelecendo pontos de contato entre as diversas disciplinas e atividades do currículo; · desenvolver atitude de busca, de pesquisa, de transformação, construção, investigação e descoberta; · definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar, seja ideológica (que tipo de homem queremos formar), psicopedagógica (que teoria de aprendizagem fundamenta o projeto escolar), ou relacional (como são as relações interpessoais, a questão do poder, da autonomia e da centralização decisória na escola); · dinamizar a coordenação de área (trabalho integrado com conteúdos afins, evitando repetições inúteis e cansativas), começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas, analisando e refazendo os programas, em conjunto, atualizando-os, enriquecendo-os ou "enxugando-os", iniciando-se, assim, uma real revisão curricular; · resgatar o sentido do humano, o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: - "o que há de profundamente humano neste novo conteúdo?" ou - "em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos?" · trabalhar com a pedagogia de projetos, que elimina a artificialidade da escola, aproximando-a da vida real e estimula a iniciativa, a criatividade, a cooperação e a co-responsabilidade. Desenvolver projetos na escola é, seguramente, a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar. Um projeto surge de uma situação, de uma necessidade sentida pela própria turma e consta de um conjunto de tarefas planejadas e empreendidas espontaneamente pelo grupo, em torno de um objetivo comum. Considerações finais O ser humano vive a ambigüidade latente entre o ser/estar, entre ser e estar sendo. O conhecimento nasce dos movimentos contidos nas dúvidas, nos conflitos, nas perguntas/respostas, nas certezas/incertezas que são vivenciadas na solução e ou/propostas, alternativas em superar, assumir, atuar, agir nessa ambigüidade do ser.”“. Quando em uma sala de aula todos se encaixam num todo maior, ocorre o envolvimento expresso através do respeito e da responsabilidade. Este é o espírito de uma sala de aula interdisciplinar: “Todos se tornam parceiros. Parceiros de quê? Da produção de um conhecimento para uma escola melhor, produtora de pessoas mais felizes (...) a obrigação é alternada pela satisfação, a arrogância pela humildade, a solidão pela cooperação, a especialização pela generalidade, o grupo homogêneo pelo heterogêneo, a reprodução pelo questionamento (...) Em síntese, numa sala de aula interdisciplinar há ritual de encontro – no início, no meio e no fim” (Fazenda, 1991). “No projeto interdisciplinar não se ensina, nem se aprende: vive-se, exerce-se” (FAZENDA, 1991, p.17). Devemos enxergar a interdisciplinariedade enquanto atitude.